23 de mai de 2011

MEC, a bola da vez

Criar polêmica está na moda e a “bola da vez” é o MEC. Um tempo atrás, o assunto era os vídeos para a campanha contra a homofobia nas escolas; e agora é um livro didático editado por uma ONG e distribuído às escolas.
Assisti aos vídeos e não vi nada demais pra tanta balbúrdia. O tema sexualidade sempre foi tabu e sempre teve que ser trabalhado com cuidado desde a minha época de colegial lá nos ido dos anos 80/90. Os vídeos em questão podem ser exibidos, a critério do professor, aos alunos do ensino médio. E não só aos alunos, mas também pode ser uma opção de trabalho com professores e pais para debate do tema. Esse final de semana estava numa festa tipo anos 80 e vi uma cena que me fez pensar. Quando fui ao banheiro vi duas pessoas num cantinho, cena comum nas baladas. O que chamou atenção foi que perto da fila do banheiro havia um grupo de umas cinco mulheres rindo e olhando pro tal canto, o que me fez prestar atenção à cena e ficar curiosa pelo motivo do riso. Quando olhei de novo notei que se tratava de duas mulheres. Foi triste ouvir comentários insinuando que as duas estavam naquela situação por “falta de homem no mercado”. Quanta besteira saindo daquelas bocas. “Me tapei de nojo”, como dizem lá na fronteira. Diante disso e de toda a nossa realidade, acho mais do que em tempo se tratar o assunto de maneira efetiva nas escolas para que futuramente cenas como as que eu vi pelo menos diminuam. Os vídeos mostram o que acontece dentro das nossas salas de aula, na nossa rua, e pra muitos dentro das próprias casas. Vamos deixar de “tapar o sol com peneira”, ver a sociedade como ela e respeitar as diferenças.
Nos últimos dias o comentário foi um livro didático distribuído pelo MEC às escolas. O livro é produzido pela ONG Ação Educativa. Li o capítulo (através do site da ONG) e posso estar com uma visão muito simplista, mas não vi nada além de um estudo linguístico. Todos nós sabemos que existem diferenças entre a forma falada e escrita e que há divisão social quanto à forma de linguagem. O livro mostra essas variações e ensina a forma correta. Quem só viu e ouviu sobre o assunto e quer formar sua opinião, pode ler o capítulo na íntegra e não fracionado como mostrado na mídia. Tire suas próprias conclusões e aproveite para ler a opinião de autores e estudiosos da linguística de universidades renomadas como a Unicamp.
E se ainda não viram os vídeos podem assisti-los abaixo.
O que está retratado nos vídeos e no texto do livro não foram criações do MEC. As situações estão aí para quem quiser ver, e não é nada mais do que a nossa realidade social. É nossa função como sociedade e educadores aprender a lidar com as diferenças e a estudar os fatos da vida.
Sempre terá uma criatura pra criar polêmica. Alguém atrás de 15 minutos de fama. Mas a vida continua e não será pela retirada de um livro ou a não exibição de uns vídeos que essa realidade será alterada, e sim através do debate e do esclarecimento. Isso é educação sim.








2 comentários:

Marcelo disse...

Excelente post Stella.
Acho que nós heteros precisamos dar mais apoio ao esforço de inclusão dos demais. Precisamos estender a mão, pois só assim a inclusão acontece. Já que a mídia não medeia direito...

Záia disse...

Olá,
gostei do teu blog tanto quanto o CD da Marisa.
sou professor e a tempos atrás escrevi na imprensa sobre a proibição do Livro do Cristovão Tezza nas escolas de SC pq continha "palavrões". Há uma hipocrisisa que vigora nos meios educacionais e precisamos de vozes que possam combatê-lo.

abs