21 de jun de 2010

A Copa que eu quero

Copa do Mundo nunca me atraiu muito. Difícil ficar indiferente quando o país todo só fala nisso, mas essa em especial estou achando muito sem graça. Não me sinto representada por essa seleção (e acho que nunca  me senti por alguma). Sou muito mais Olimpíadas. Diferenças à parte, e antes que alguém me rotule de anti-patriota e me mande catar coquinho, gostaria de entender o que move um país todo parar para assistir um jogo de futebol e em outras situações não demonstram tanto empenho. Gostaria de ver esse empenho todo do povo, da mídia, em prol de coisas que interessam realmente.
Isso sim seria patriotismo. Gostaria de ver meu país muito bem colocado na ranking da saúde, da educação, em qualidade de vida... Gostaria de sair às ruas em plena 15:30 da tarde e ver as lojas fechadas e ninguém na rua em boicote a algo que  prejudica a nação. Pedir uma colaboração para uma instituição, um livro, um agasalho,  é ofensa pra algumas pessoas, e muitas dessas depois, correm pra comprar uma camiseta da seleção que tem um preço absurdo. Inversão de valores. Conceito distorcido de patriotismo no meu ponto de vista. Em que vai mudar minha vida ou da comunidade que me rodeia, uma taça a mais numa estante sei lá onde? Se não é uma Lady Di ou uma Angelina Jolie, poucos lembram que a África existe. Agora o mundo invade a África e esquece que a Copa está acontecendo num país miserável, onde 1400 pessoas morrem de Aids por dia, de fome, em condições desumanas, onde o povo mesmo nem perto dos estádios gigantescos consegue chegar. A Copa terá passado pela África e o que terá deixado além das construções que fizeram para receber os turistas. Talvez milhões de preservativos que a Fifa pediu para distribuir preocupados com as milhares de prostitutas que desembarcaram no continente.  Quem pagaria algo  em torno de 160 Reais pra assistir ao ‘espetáculo’ de 22 homens correndo num campo, alienado à realidade que está fora do estádio. Com todo respeito a quem gosta e assiste a Copa do Mundo. A Copa do Mundo não é do povo! Os jogadores que estão na nossa seleção ganham um salário que eu nem consigo imaginar e vivem fora do país, longe da nossa realidade e da realidade que um dia fez parte da vida deles. Sonho com o dia que meu país irá levantar a taça da leitura, da educação, da saúde, da paz. Quem sabe um dia esse grande país da América Latina dá de goleada na Europa e tantos outros... É uma utopia, eu sei, mas sou uma sonhadora. Eu não verei esse dia, mas quem sabe os bisnetos de alguém que lê esse texto agora. O povo todo na rua cantando:  A taça do mundo é nossa! Com brasileiro não há quem possa!
PS: Tem certas coisas que vou demorar pra entender mesmo, talvez nem entenda... Perdoem-me, mas ando um tanto realista ultimamente. :)

Um comentário:

Braulo disse...

Olá querida, excelente o texto, justa sua indignação, apesar de achar que antes do futebol muita coisa deveria ser transformada.
Os valores se alteram, quando o ser se educa, mas mesmo o processo educativo necessita da recreação, o que me parece ser condenável são os exageros, das torcidas, da mídia, dos salários etc. Todavia o caráter do futebol é esportivo, portanto saudável. O mesmo já não se poderia dizer da política, dos banqueiros, dos especuladores, dos governos descompromissados com a educação, com a cultura. Com os investimentos absurdos em armas cada vez mais poderosas, fomentando a indústria da morte, mantendo o povo escravo da ignorância e da miséria em todos os sentidos.