2 de jan de 2012

A dor e a delícia


A frase que mais ouço de bocas distintas é: “O que tiver que ser, será”. Eu sei disso, mas mesmo assim desperdiço uma quantidade enorme de energia tentando prever a parte do “será”. Talvez apego, talvez necessidade de controle. Não sei.

Dias desses, no encontro do grupo Sobre Livros e Leituras, comentávamos o poema Alheamento, do amigo Romar Beling, onde tem uma citação de Armindo Trevisan: “Os que amam não olham para a frente”. O poema fala de alguém que andava de costas, sempre voltada para um passado. E o autor comentava conosco que as pessoas se prendem à situações ou pessoas e não conseguem viver o presente. Ficam presas em alguma lembrança, andando de costas. E algumas procuram algo para ter a que se prender. E segundo ele as pessoas se dividem nesses dois grupos: as que estão presas e as que procuram algo a que se prender. Eu já fiz parte do grupo da procura e também já andei de costas... Ciclos. Parece sina.
No filme “Meia-noite em Paris”, o protagonista passa pela mesma situação: vive a nostalgia dos anos 20 e aprecia Paris nos dias de chuva. A mensagem do filme é aquela já conhecida de muitos: o importante é viver o presente e quem está na chuva é pra se molhar...
Num encontro, ao acaso, com meu amigo Dan Porto, ele, sensível e perspicaz, cita Fernando Pessoa: “Tudo que chega, chega sempre por uma razão”, e acrescentou “e tudo que se vai também”.
Quando vou deixar de andar de costas e desperdiçar energia, não sei. Mas nunca tive medo de me molhar...  No meio de tantas previsões, esperançosas e catastróficas, 2012 reserva algo à turma dos andantes de costas. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é já dizia Caetano, e eu acrescento “e da angústia de um será”. E pra não perder o costume: O que tiver que ser... Será. Feliz 2012!

Um comentário:

Amy disse...

Feliz 2012 pra você também.
Adorei o post *-*
beijos
bom final de semana.

Amy