23 de jan de 2012

Companheiros de Viagem - Parte 1: jeitim mineirim

Em minha viagem de férias levei mais que vontade de descansar na mala. Escolhi a dedo meus companheiros. 



A primeira que me fez companhia nos dias de chuva foi uma mineira, por formação professora e filósofa, e com licença poética: Adélia Prado. Conheci alguns textos na Internet, até que decidi ler um livro, e o escolhido foi Bagagem. Concordei com ela em vários poemas, mas a identificação maior acho que foi neste que postei abaixo. Mas o que sinto escrevo. =)

Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

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