11 de abr de 2010

Feliz desaniversário!

Nesse findi decidi ver o ‘mundo ao avesso’, e cair no buraco junto com Alice. Sim, Alice, aquela do País das Maravilhas, do clássico de Lewis Carol. Assisti a animação produzida pela Walt Disney em 1951 e o filme de 2010 com Jhonny Depp (adoro ele!). Que viagem maravilhosa Alice me proporcionou. Carol teria escrito para crianças? Acho que não... É mais provável que ele tenha pensado em deixar ‘recadinhos’ para algumas crianças grandes...

Em 1958 Walt Disney mostrou o sonho de uma menina que a levou ao País das Maravilhas, onde flores e animais falam, gatos sorriem e todos vivem sob o jugo de uma rainha louca. Alice só pensava em voltar pra casa, e assustada diz a Cheshire: - Mas eu não quero ver gente louca! E o gato alerta Alice: - Oh, não pode evitar, tudo aqui é maluco! Alice também encontra uma sábia lagarta que lhe faz perguntas profundas do tipo: Quem és tu? Por quê? De onde viestes? Para onde vais? Mas Alice ainda é muito jovem para tais questionamentos. Como exigir respostas tão profundas de uma criança, quando muitas vezes os adultos não as têm.
A versão de 2010 é encantadora. Cheia de mensagens. Maquiagem, figurino, fotografia excepcionais. Alice agora é uma jovem e lhe arranjam um noivo. Ela é pedida em casamento na frente de todos os convidados de uma festa. Pressionada, Alice entra no buraco e retorna ao “País das Maravilhas”. De todas as aventuras que Alice vive, em várias cenas do filme há mensagens que podemos trazer para nossa vida. Destaco as que mais me chamaram a atenção e faço aqui minha livre interpretação, ok? Deixando de lado a questão política : opressor (Rainha Vermelha) e oprimidos (demais habitantes do País das Maravilhas) e os rebeldes (aliados da Rainha Branca), pois aí seria uma outra reflexão.
A Rainha de Copas, por exemplo, quando contrariada logo gritava, - Cortem a cabeça! E confessou ao seu Valete que era melhor ser temida que amada. Quantas vezes procuramos o caminho mais fácil: matando algo que incomoda ao invés de resolver, e escolhendo ser ‘temida’ ao invés de conquistar e ser amada pelo que somos. O Chapeleiro abre os olhos da Rainha de Copas e provoca: “Veja as mentirinhas que lhe rodeiam...”. Quem quer ver o mundo como ele é? Quando alguém nos mostra a realidade, a verdade nua e crua, nem sempre entendemos. Nossa reação é achar que aquela pessoa nos está fazendo mal. Então, que reação esperar da Rainha? A mais óbvia para alguém com a personalidade dela (hehehe) “Cortem a cabeça”. Outra cena é a que o Chapeleiro está surtando, e em um momento de ‘lucidez’ pergunta se estará ele delirando e demente. Alice, agora já um pouco mais madura, diz que todas as pessoas boas são dementes. Bem diferente da Alice criança que dizia não querer ver gente maluca. Alice já se deu conta que os loucos são mais livres, idealistas, sonhadores... É que é preciso ter uma pitada de loucura pra sobreviver nesse mundo. Outra cena de destaque é o momento em que Alice se vê novamente pressionada a fazer algo que ela não tem certeza se quer e a Rainha Branca diz que ela não pode levar a vida tentando agradar os outros. “A decisão é sua. Enfrentando aquela criatura, irá enfrentar a si mesma”. Qual a reação de Alice? Fugir e chorar. Absolem, a sábia lagarta, aconselha: “Nunca nada foi resolvido com lágrimas”. Alice, vendo Absolem de cabeça pra baixo, pergunta por que a lagarta está assim. Ele diz que chegou ao fim daquela vida e que irá se transformar. Quantas vezes sentimos nossa vida de pernas pro ar, e demoramos a nos dar conta que é nesse caos que crescemos, evoluímos e nos transformamos em borboletas. Penso que essa passagem com Absolem, mostra muito bem isso. Ainda há outras mensagens... Quando o Chapeleiro diz a Alice que as coisas só são impossíveis se a gente acreditar que são. E quando Alice tem que decidir entre ficar no País das Maravilhas ou voltar ao seu mundo a jovem confessa: - Que idéia maravilhosamente louca! - De novo a questão da escolha. Seria mais fácil viver no nosso mundinho, mas Alice, agora mais madura, logo completa: - Mas não posso. Há respostas que tenho que descobrir. Coisas que tenho que fazer. É, Alice ainda é a mesma menina curiosa que correu atrás do coelho.
Absolem se transformou, e Alice também sai de seu casulo para uma vida nova cheia de descobertas, mas sem perder sua essência. Agora no mundo real é que começa a verdadeira aventura em busca das respostas que todos nós procuramos: Quem és tu? De onde viestes? Para onde vais? Quem quer cair no buraco com Alice? Quem quer ver o mundo ao avesso, através do espelho? Quem quer se descobrir? Eu vos digo, é uma viagem muito louca! :D Feliz desaniversário pra todos vcs!
Abaixo vídeos das duas versões:


2 comentários:

Anônimo disse...

Obrigado e feliz aniversário para você também.
Existe um diálogo interessante na animação, que é:

“- Gatinho amigo, que caminho devo seguir? – Alice fala com o gato.
- Para onde você quer ir? – pergunta o velho gato.
- Para qualquer lugar... – Alice, indecisa responde.
- Ah... então qualquer caminho serve ! – ironiza o velho gato”.

Se não existe um objetivo a ser alcançado, sempre teremos uma desculpa para o fracasso. Estamos vendo muitos filmes...

Bj.

Renato

Dilso J. dos Santos disse...

Bela leitura a que fizeste, uma crônica de uma crônica descronicada de desaniversário e fantasia. Muito bem escrito! Parabéns!